A Centralização do Poder
Do quadro de dificuldades criado pela crise que afetou a Europa Ocidental no final da Idade Média, a centralização do poder pelos reis surgiu como alternativa política capaz de estabelecer a ordem e a segurança.
O Senhor da Balança: Em sua luta para centralizar o poder, o rei teve alguns aliados (burguesia). Utilizando as leis e as fórmulas jurídicas do direito romano, juristas de formação universitária ajudaram o monarca a legitimar e justificar o poder absoluto. Ao mesmo tempo, o emprego crescente da infantaria e a utilização de armas de fogo diminuiram a importância da cavalaria. Essa mudança contribuiu para enfraqueçer ainda mais o poderio dos senhores feudais. A igreja também ofereceu forte resistência à centralização do poder Real ao ser ameaçada de perder a posse de suas terras.
Monopólio de Força Legítima: Somente o Rei podia constituir qualquer tipo de forças armadas, encarregadas de manter a ordem e defender o território de agressões externas.
A Formação do Estado Moderno na França: Um dos primeiros monarcas francos a adotar medidas de centralização politica foi Filipe II que encarregou funcionários especiais para recolher impostos em todo o reino. Com isso manteve o controle de arrecadação em áreas antes dominadas pela nobreza. Os conflitos entre o Rei e os seus adversários o ápice no reinado de Filipe IV, o Belo. Filipe chegou a ser ameaçado de excomunhão pelo Papa, após obrigar a igreja a pagar impostos. Durante seu reinado, Filipe voltou-se contra os nobres da Ordem dos Cavaleiros Templários, surgida na época das Cruzadas; Por dever uma grande soma em dinheiro à ordem, o Rei tentou confiscar seus bens.
A Guerra dos 100 Anos: Ocorreu entre Inglaterra e França. Foi provocada, principalmente, a intenção do rei francês de afastar a rica região de Flanders do controle Inglês e o fato do rei inglês reivindicar direitos sucessórios em relação ao trono francês. Quando os franceses estavam em desvantagem, surge Joana D’arc, uma jovem camponesa com muita disposição, que se veste de homem e lidera a França na guerra, ao final, graças a ela a França recuperou a Coroa. Porém, a igreja a condenou como herege, e Joana D’arc foi punida.
A Monarquia Centralizada dos Ingleses: Em 1215, diante de uma série de medidas autoritárias tomadas pelo rei, João sem Terra, como a imposição de novos impostos, os nobres reuniram-se e aprovaram um documento que limitava o poder do rei e determinava que ele só poderia aumentar impostos diante aceitação do Grande Conselho, orgão formado pela própria nobreza e por representantes do clero. No século XV, a Inglaterra foi assolada por uma guerra entre duas familias da nobreza, que disputavam o trono, os York e os Lancaster. Cada uma dessas familias adotava uma rosa de cor diferente como símbolo; Por essa razão o conflito recebeu o nome de Guerra das Duas Rosas. Em meio à disputa, os dois contendores abriram espaço para a ascensão de uma terceira familia, os Tudor, que chegaram ao poder em 1485 com Henrique VII. Aproveitando o enfraquecimento da nobreza ocasionado pela guerra, o novo rei pôde restaurar e ampliar a centralização do poder, unificando o País e constituindo as bases do Estado moderno na Inglaterra.
A Península Ibérica: Em 1212, na batalha das Navas de Tolosa as forças unidas dos diversos reinos cristãos derrotaram os muçulmanos, cujo domínio ficou restrito à Granada, no sul da Península Ibérica. O passo decisivo para a expulsão dos árabes ocorreu em 1469, quando Fernando, rei de Aragão, casou-se com Isabel, que se tornaria depois, rainha de Castela. Unidos, os reinos de Aragão e Castela tornaram-se base da Espanha. Fernando e Isabel conhecidos como reis “católicos”, venceram a resistência dos senhores feudais e limitaram a autonomia das cidades, impondo a todos autoridade do poder real. Em 1480, com a instituição do tribunal da inquisição, a igreja católica e os monarcas uniram-se contra a qualquer tipo de resistência ou oposição.
O Renascimento e o Humanismo
As Origens do Renascimento: Na península itálica, no século XIV, artistas e intelectuais provocaram uma verdadeira revolução. Cansados da submissão das artes e do pensamento aos dogmas da igreja Católica, eles propuseram uma nova forma de entender o mundo e principalmente o ser humano. O ressurgimento do comércio permitiu à burguesia acumular riqueza suficiente para financiar as obras de escritores e artistas. Assim, tornou-se comum a figura dos mecenas, indivíduos ricos que, em busca de glória e prestígio, patrocinavam o trabalho de artistas e escritores.
Períodos Renascentistas: Trecento, Quattrocento e Cinquecento.
Trecento: Também conhecido como período pré-renascentista, pelo fato de ser o inicio do movimento. Contudo, seus representantes, embora ainda carregassem traços medievais muito fortes, apontavam para uma nova forma de expressão artística. O trecento teve seu principal centro em Florença, onde havia uma concentração de ricos mercadores e banqueiros.
Quattrocento: Os artistas dessa fase procuravam aperfeiçoar suas técnicas aproximando-se da ciência. Se durante o Trecento predominava a pintura em madeira, agora os artistas preferiam pintar em telas de tecido resistente apoiadas a cavaletes.
Cinquecento: Período de plena maturidade do renascimento, o Cinquecento foi dominado pelos gênios Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarotti. O centro artístico mais destacado dessa época foi Roma, seguido de Florença.
O Renascimento se Espalha Pela Europa: Flandres, Sacro Império, Inglaterra, França, Espanha e Portugal.
Flandres: O renascimento flamengo esteve muito ligado ao desenvolvimento da pintura. Suas maiores preocupações eram a pesquisa dos materiais, o aprimoramento técnico e o esforço de fazer representações que parecessem naturais. Maiores representantes: Jan van Eyck (pintor) e Erasmo de Roterdã (escritor).
Sacro Império: O Renascimento no Sacro Império se caracterizou mais pelos notáveis estudos humanistas efetuados nas universidades no fim do século XV. Maiores representantes: Albrect Dürer (pintor), Hans Holbein, o moço (pintor) e Martinho Lutero (protestante).
Inglaterra: O renascimento inglês é bem mais tardio, se comparado ao italiano e ao flamengo. Só se torna marcante em 1485, com a consolidação do Estado nacional inglês. Maior representante: Willian Shakespeare (escritor).
França: O renascimento francês alcançou um elevado grau de elaboração em várias áreas das artes e da cultura. Sua base seria a corte parisiense onde os monarcas atuaram como mecenas. Maiores representantes: François Rebelais (escritor) e Pierre Lescot (arquiteto).
Espanha: A cultura Renascentista enfrentou problemas nas terras espanholas devido a ação intolerante da Igreja Católica com a inquisição. Maior representate: Miguel de Cervantes Saavedra (escritor).
Portugal: O Renascimento português, para além do seu cunho próprio, nasce, principalmente em termos artísticos, da mistura do estilo gótico com as inovações do século XV. Maiores representantes: Luís de Camões (poeta) e Francisco Sá de Miranda (escritor).
Os Europeus Chegam à América
As Grandes Navegações: O Estado Moderno, com sua monarquia fortalecida e unificada, surgiu como instrumento capaz de concretizar o objetivo de espalhar a fé cristã pelo Mundo. Graças ao apoio da burguesia, aos impostos cobrados da população e aos empréstimos contraídos junto aos banqueiros, o rei pôde reunir o capital necessário para financiar as viagens marítimas.
Escassez de Metais Preciosos: Outro fator que levou os Europeus a realizar as navegações foi a busca de metais preciosos, pois boa parte do ouro e da prata existentes na Europa era destinada ao pagamento de mercadorias no comércio com o Oriente.
Progressos Técnicos e Cientificos: As conquistas maritimas foram possibilitadas pelos avanços efetuados na técnica de navegação em alto-mar e o aprofundamento dos conheçimentos cíentificos alcançados pelos Europeus no século XV. Entre os avanços técnicos estavam instrumentos como a bússola, o astrolábio e, é claro, a caravela.
A Opção Pelo Mar: Diversos setores da sociedade portuguesa estavam interessados nos beneficios propiciados pelas navegações. Os motivos eram os mais variados e compreendiam aspectos políticos, econômicos e religiosos. A monarquia portuguesa desejava fortalecer seu poder e construir um império. Para isso, fazia-se necessário conquistas novas terras e controlar uma vasta rede comercial.
Navegações Portuguesas: Somente várias decadas mais tarde, entre 1487 e 1488, Bartolomeu Dias alcançou o cabo das tormentas no extremo sul da África, rebatizado pelo rei de Portugal de cabo da Boa Esperança. Este ultimo feito abriria caminho para a realização de um projeto mais ambicioso, que havia se esboçado após a conquista do cabo Bojador: chegar às Indias contornando a África.
O Brasil na Rota dos Portugueses: Comandada por Pedro Álvares Cabral, a frota partiu em março de 1500. Mas, não tomou diretamente o rumo para as Indias. Provavelmente, tinha um outro objetivo não declarado: tomar posse de uma enorme porção de terras no Atlântico Sul. Assim, abandonou o litoral Africano em direção ao mar aberto e, em 22 de abril, chegou às terras que viriam a se chamar Brasil.
O Tratado de Tordesilhas: Foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha para dividir as terras "descobertas e por descobrir" por ambas as Coroas fora da Europa. Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo.
Reforma e Contra-Reforma
Durante a idade média a vida espiritual na Europa ocidental foi dominada pela Igreja Católica. Não se admitiam divergências contra esse monopólio da crença. Os rebeldes e dissidentes, considerados hereger, ou se calavam ou eram simplesmente eliminados. Muitos foram queimados vivos nas fogueiras que o Tribunal do Santo Oficio, ou Inquisição, acendeu em todo o continente.
Antecendentes da Reforma: No decorrer do século XV, alguns humanistas apontavam deturpações cometidas pela Igreja e criticavam a corrupção reinante em sua alta hierarquia. Os abusos cometidos pelo clero disseminavam-se por todas as categorias eclesiáticas. Assim, desde a venda de " reliquias sagradas " (como pretensos pedaços da cruz em que Cristo foi crucificado), efetuado pelo baixo clero, até a interferência política em problemas internos dos reinos pelos papas, tudo contribuía para justificar as críticas dos intelectuais humanistas. De acordo com um desses intelectuais, Erasmo de Roterdã, era preciso que a igreja assumisse uma posição mais humilde e desvinculada da vida material. Nesse contexto, surgiu Martinho Lutero, que propunha mudanças na igreja de Roma. Suas propostas provocariam intenso movimento de transofrmação religiosa em toda a Europa ocidental, que ficou conheçida como Reforma Protestante.
Martinho Lutero: Era teólogo e professor universitário, foi o "Pai do Protestantismo" e reformista da Igreja Católica, cujas ideias influenciaram a Reforma Protestante e mudaram o curso da Civilização ocidental. Durante um culto na Igreja Católica, o jovem sacerdote se deu conta dos problemas que o oferecimento de indulgências aos fiéis, como se esses fossem fregueses, poderia acarretar. Lutero viu este tráfico de indulgências como um abuso que poderia confundir as pessoas e levá-las a confiar apenas nas indulgências, deixando de lado a confissão e o arrependimento verdadeiros. Proferiu, então, três sermões contra as indulgências; Em outubro de 1517 foram afixadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Essas teses condenavam o que Lutero acreditava ser a avareza e o paganismo na Igreja como um abuso e pediam um debate teológico sobre o que as Indulgências significavam. Para todos os efeitos, contudo, nelas Lutero não questionava diretamente a autoridade do Papa para conceder as tais indulgências.
Calvinismo: O Calvinismo é tanto um movimento religioso protestante quanto uma ideologia sociocultural com raízes na Reforma iniciada por João Calvino em Genebra no século XVI. Calvino apoiou-se a frase de Paulo: "pela fé sereis salvos", esta frase de epístola de Paulo aos Romanos foi interpretada por Martinho Lutero ou simplesmente Lutero como pela fé sereis salvos. As duas frases, possuem a mesma coisa, ou seja, não muda o sentido. O Calvinismo marca a segunda fase da Reforma Protestante, quando as igrejas protestantes começaram a se formar, na seqüência da excomunhão de Martinho Lutero da Igreja Católica romana. Neste sentido, o Calvinismo foi originalmente um movimento luterano.
Anglicanismo: A nova religião adotou elementos do Calvinismo e manteu outros do catolicismo. Sua peculiaridade residia no fato do rei ser o chefe supremo. Nos anos subsequentes, a Inglaterra oscilou entre as influências do Catolicismo e do protestantismo, até que a rainha Elizabeth I proclamou o anglicanismo como a religião oficila.
A Contra-Reforma Católica: A reação da Igreja Católica ao avanço das propostas da reforma ficou conheçida como Contra-Reforma. O concilio de Trento, do qual participaram representantes da Igreja Católica de toda a Europa, coordenou e orientou o movimento.
Conseqüências da Reforma: A Reforma Protestante pôs um fim no monopólio espiritual da Igreja Católica, oferecendo aos fiéis novas opções religiosas. Os efeitos do movimento, foram o estimulo ao desenvolvimento capitalista, o impulso à alfabetização e a intolerância religiosa diante das artes e da ciência (daí surgiu o Index, a lista dos livros proibidos pela Igreja Católica).
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